George Berkeley, filósofo irlandês do século XVIII, é mais conhecido por sua teoria do idealismo, que propõe que a existência das coisas depende de sua percepção. Sua obra desafiou a visão materialista da realidade e abriu novos caminhos para a filosofia da mente e da percepção.
Neste artigo, exploraremos as principais ideias de Berkeley, abordando sua teoria do “ser é ser percebido”, a crítica ao materialismo e o impacto de seu pensamento no desenvolvimento da filosofia moderna.
Vida e trajetória de George Berkeley
George Berkeley nasceu em 1685, na Irlanda, e estudou filosofia na Universidade de Dublin. Sua formação acadêmica foi profundamente influenciada pela filosofia de John Locke, mas foi Berkeley quem desafiou a visão de Locke sobre a existência do mundo material.
A filosofia de Berkeley foi moldada por sua visão religiosa, e ele acreditava que a realidade material não existia independentemente da mente humana ou divina. Ele ficou famoso por seu trabalho “Tratado sobre os Princípios do Conhecimento Humano” (1710), onde apresentou sua teoria idealista de que as coisas existem apenas enquanto são percebidas, ou seja, o mundo depende da percepção de uma mente para existir.
Berkeley também foi um bispo da Igreja da Irlanda e manteve uma estreita relação entre sua fé religiosa e suas ideias filosóficas. Morreu em 1753, deixando um legado significativo para a filosofia moderna.
O Idealismo: “Ser é Ser Percebido”
A teoria mais famosa de Berkeley é o idealismo, que afirma que a existência das coisas depende de serem percebidas. Para Berkeley, não há um mundo material independente da mente. O que chamamos de “coisas materiais” são na verdade apenas ideias na mente de um ser consciente.
Berkeley formulou a ideia de que, enquanto as coisas estão sendo percebidas, elas existem, mas quando não são percebidas, elas não têm existência independente. Sua famosa frase “esse est percipi” (ser é ser percebido) resume sua visão: se não há um ser que perceba uma árvore, por exemplo, a árvore não existe de maneira independente.
Essa teoria desafiou a visão materialista dominante de que o mundo físico é composto por objetos que existem independentemente da mente humana.
A Crítica ao Materialismo
Berkeley foi um crítico feroz do materialismo, especialmente das ideias de filósofos como Thomas Hobbes e John Locke, que defendiam a existência do mundo material independente da percepção.
Para Berkeley, a visão materialista não conseguia explicar como a percepção sensorial era possível sem uma mente que a recebesse.
Ele questionou a ideia de que as qualidades das coisas – como cor, forma e textura – existem independentemente de quem as percebe. Em vez disso, Berkeley sugeriu que essas qualidades são apenas percepções mentais, e que a matéria, tal como os filósofos materialistas a concebiam, era uma ilusão.
Berkeley também fez uma crítica direta ao conceito de substância material, argumentando que a ideia de uma substância que existe independentemente das nossas percepções é incoerente e sem fundamento lógico.
O Papel de Deus na Filosofia de Berkeley
Em seu sistema filosófico, Berkeley também destacou a importância de Deus como o ser que garante a continuidade da existência do mundo, mesmo quando não está sendo percebido por seres humanos.
De acordo com Berkeley, o mundo não depende apenas da percepção humana, mas da percepção constante de Deus, que mantém a ordem e a realidade do universo.
Berkeley acreditava que a percepção de Deus era o que permitia que o mundo físico tivesse uma continuidade, mesmo quando não estava sendo diretamente percebido por seres humanos. Para ele, Deus é o “perceptor eterno” que assegura que as coisas permaneçam constantes e em ordem, independentemente de nossa percepção delas.
Principais Obras
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“Tratado sobre os Princípios do Conhecimento Humano” – Obra em que Berkeley apresenta sua teoria idealista, argumentando que o mundo não existe independentemente da mente que o percebe.
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“Três Diálogos entre Hylas e Philonous” – Diálogo em que Berkeley expõe de forma mais acessível sua crítica ao materialismo e à existência independente do mundo material.
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“A Teoria da Visão” – Obra que explora a percepção visual e argumenta que a visão é, na verdade, uma forma de percepção mental.
Principais Influências sobre George Berkeley
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John Locke – Locke influenciou Berkeley em suas ideias sobre a percepção e as qualidades primárias e secundárias, mas Berkeley rejeitou a ideia de que as qualidades primárias existiam fora da mente.
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René Descartes – Descartes foi uma influência importante na filosofia de Berkeley, especialmente sua concepção de que a mente é a base do conhecimento e da percepção. Berkeley adaptou a ideia cartesiana de dúvida para construir seu sistema idealista.
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Platão – Embora Berkeley não tenha seguido a filosofia de Platão diretamente, suas ideias sobre as “ideias” e o mundo das formas influenciaram seu pensamento, especialmente a ideia de que a realidade é composta de percepções e ideias na mente.
Frases geniais de George Berkeley
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“A existência de um objeto depende da mente que o percebe.”
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“Os objetos não existem independentemente de nossa mente. O que vemos, ouvimos e tocamos são apenas percepções.”
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“Esse est percipi.” (Ser é ser percebido)